📬 Insights da Semana

Edição #51 - Curadoria semanal Solum Capital

Prezado(a),

A Solum Capital compartilha, semanalmente, uma seleção de conteúdos que dialogam com os temas que norteiam nossa atuação: private equity, middle market, economia real, alocação de capital e criação de valor de longo prazo.

Nosso objetivo é contribuir para o debate estratégico e manter um canal permanente de diálogo com nosso ecossistema.

📰 Em destaque

Com a Bolsa novamente em modo de espera, Seneca Evercore mira recorde de M&As em 2026

Matéria do NeoFeed traz uma leitura muito reveladora do momento do mercado brasileiro. A Seneca Evercore, butique fundada por Daniel Wainstein, já movimentou cerca de R$ 5 bilhões em M&As no primeiro semestre de 2026 e projeta um ano recorde, com mais de 30 mandatos em andamento.

No primeiro semestre, o Brasil registrou 330 M&As, movimentando US$ 30,4 bilhões (R$ 157 bilhões), queda de 6% em relação ao mesmo período de 2025, mas com aceleração perceptível no ritmo das negociações.

A Seneca destaca diversidade setorial no pipeline atual: mercado financeiro, wealth management, fintechs, tecnologia, energia alternativa, educação e serviços, sinal de saúde estrutural do apetite. O motor principal do movimento é o apetite de empresas estrangeiras por ativos brasileiros, atraídas pelo contexto geopolítico (China fora do radar, Índia já saturada). Além disso, também destaca o papel das vendas por sucessão, dos desinvestimentos de não-core e da consolidação por empresas capitalizadas

🔗 Leia a matéria na NeoFeed

📚 Leitura recomendada

Invisible Companies

Ensaio publicado na Colossus sobre uma classe de empresas que raramente ganha destaque em livros de estratégia, os “negócios invisíveis”. Companhias em setores mundanos, sem moats óbvios, que mesmo assim geram lucros excepcionais por décadas. A tese é provocativa e conversa profundamente com o dia a dia de quem investe em middle market.

O ponto de partida é a história de Steve Ross, que construiu a Time Warner a partir de um conjunto improvável de negócios: funerárias, estacionamentos, aluguel de carros, empresas de limpeza e pintura. Em 1969, com essa base "sem glamour", comprou a Warner Bros. Ross não tinha nenhum "moat" no sentido clássico, o que ele tinha era acesso a mercados que ninguém mais estava olhando.

A vantagem competitiva pode vir da "negligência competitiva". Além dos moats clássicos (barreiras de entrada, ativos difíceis de replicar, marca), existe uma proteção invisível que, quando ninguém está prestando atenção, ninguém entra. E, sem competição, os lucros persistem.

Os grandes construtores de riqueza sabiam disso. Constellation Software rendeu 34% ao ano desde o IPO em 2006 comprando softwares verticais em nichos ignorados, sistemas para gerenciamento de marinas, ingressos de teleférico, arquivos de funerárias. Waste Management foi construída comprando 133 empresas de coleta de lixo em dois anos. HEICO virou multibilionária vendendo peças de reposição para aeronaves antigas. Todas em setores que ninguém queria olhar.

Os autores encerram com uma provocação relevante. Agora que IA está sendo treinada nos mesmos datasets e frameworks que todos usam, a invisibilidade se torna hardcoded nos modelos. Ou seja, quanto mais o mercado se automatiza, mais valiosa fica a capacidade humana de olhar onde ninguém está olhando.

🔗 Veja o artigo completo da Colossus

🎧 Ponto de escuta

Will Thorndike: The Power of Long Holding Periods

Nesta conversa do Patrick O'Shaughnessy com Will Thorndike, o tema central é o estudo das características comuns de negócios capazes de compor retornos a taxas elevadas por períodos anormalmente longos. Décadas, não anos. É uma investigação sobre o que separa empresas que atravessam gerações mantendo qualidade de retorno das que perdem consistência ao longo do tempo.

A conversa cobre pontos que qualquer investidor de longo prazo vai querer ouvir com calma: Por que holding periods longos raramente são valorizados na indústria e por que isso é um erro estrutural; Os atributos operacionais e culturais que sustentam retornos compostos por décadas; O papel da disciplina de alocação de capital como diferencial silencioso entre os CEOs excepcionais e os medianos; Como identificar cedo empresas com essas características.

Para quem leu The Outsiders (e vale muito ler, se ainda não leu) essa conversa funciona como uma extensão prática do livro. Para quem ainda não leu, funciona como um convite. Em qualquer caso, é uma das melhores oportunidades disponíveis para ouvir Thorndike destilando o que aprendeu ao longo de décadas construindo e observando negócios excepcionais.
 
🔗 Escute o podcast no Spotify

📈 Ponto de vista Solum

Três peças, um mesmo fio.

O relato da Seneca Evercore mostra que o mercado brasileiro de M&A está entrando em um ciclo virtuoso, com apetite internacional crescente e diversidade setorial no pipeline.

O ensaio da Colossus vem imediatamente depois com uma tese mais profunda: as melhores oportunidades geralmente estão em setores que ninguém está olhando. Não por serem escondidas, mas por serem "invisíveis": mundanas, fragmentadas, sem prestígio. É exatamente ali que pode se criar valor duradouro, longe do brilho e da competição.

E Thorndike fecha o arco lembrando o que fazer depois de encontrar essas oportunidades: manter, compor e deixar o tempo trabalhar. Os CEOs e investidores excepcionais que ele estuda têm uma característica em comum, disciplina de alocação de capital e horizonte de décadas, não de trimestres.

Essa é a lente com que operamos na Solum: buscar setores fragmentados do middle market brasileiro que ainda não têm líder nacional, encontrar empresas com fundamentos sólidos que passam despercebidas nos radares maiores, e construir com disciplina e horizonte longo. Nem tudo o que gera retorno excepcional está nas manchetes e o que gera, raramente aparece em meses, mas sim em anos.

Boa leitura e um excelente fim de semana,
Equipe Solum Capital