📬 Insights da Semana

Edição #48 - Curadoria semanal Solum Capital

Prezado(a),

A Solum Capital compartilha, semanalmente, uma seleção de conteúdos que dialogam com os temas que norteiam nossa atuação: private equity, middle market, economia real, alocação de capital e criação de valor de longo prazo.

Nosso objetivo é contribuir para o debate estratégico e manter um canal permanente de diálogo com nosso ecossistema.

📰 Em destaque

Indústria de médio porte retoma apetite para acelerar lançamentos

Matéria do Valor traz um indicador importante para quem opera no middle market brasileiro: a indústria de médio porte está retomando confiança e disposição para investir em novos lançamentos. O Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial – Médias Empresas avançou 8,8% no acumulado dos últimos 12 meses e impressionantes 23,8% sobre abril, sinalizando reaceleração após um 2024 mais conservador.

Alguns pontos que ajudam a dimensionar o movimento:

  • O índice cobre 62 mil empresas com faturamento entre R$ 10 milhões e R$ 500 milhões, o universo exato do middle market brasileiro;

  • Em maio, as médias empresas aceleraram 62,5% em relação a abril, com inovação e ampliação de mix sendo as prioridades;

  • A vigência do acordo Mercosul-UE desde 1º de maio aparece como vetor adicional, abrindo novas oportunidades de exportação.

A leitura geral da pesquisa é que maio marcou um ponto de ajuste relevante na disposição dos empresários para inovar. O indicador funciona como termômetro do apetite empresarial, antecedendo a produção propriamente dita, ou seja, esses números sinalizam o que deve aparecer na atividade industrial nos próximos trimestres.

Para quem investe e acompanha o middle market brasileiro, é uma evidência concreta de que o ambiente operacional está se tornando mais favorável à execução de teses de crescimento.

🔗 Leia a matéria no Valor

📚 Leitura recomendada

Seu ego está sabotando a sua liderança

Artigo potente escrito por Pedro Janot sobre o que aprendeu ao longo de décadas observando o que separa boas operações das que perdem consistência.

A tese central é provocativa: "os maiores erros de uma operação raramente começam na estratégia. Eles começam na liderança." E quase sempre têm a mesma origem: o ego.

O ponto mais forte do texto é mostrar como o ego se disfarça. Ele não se apresenta como problema. Chega "travestido de segurança, de experiência, de convicção. Ele faz o líder acreditar que já viu o suficiente, que já sabe o caminho, que pode decidir sozinho." É exatamente nesse momento que começam os desvios.

Algumas frases do Pedro valem guardar:

  • "Quando o ego entra, a escuta sai. E sem escuta, não existe liderança. Existe comando."

  • "Liderança está associada à capacidade de fazer boas perguntas e de criar um ambiente onde as respostas possam emergir."

  • "O ego cria distância. A escuta cria conexão."

  • "Ego no bolso. Bolso furado. Ego no chão."

Uma leitura rápida que vale ser repetida com frequência, especialmente para empresários, executivos e investidores que lidam, todo dia, com decisões sob pressão.

🔗 Veja o artigo completo

🎧 Ponto de escuta

Warren Buffett: Lições e Erros do Maior Investidor de Todos os Tempos

Episódio do Market Makers em que Thiago Salomão e Matheus Soares recebem Frederico Vontobel para uma conversa profunda sobre Warren Buffett, a Berkshire Hathaway, Charlie Munger e os princípios que fizeram da Berkshire uma das maiores histórias de geração de valor do capitalismo.

Mais do que homenagem, o episódio mostra o Buffett completo: o investidor genial, o alocador de capital extraordinário, o homem obsessivo, os erros pessoais, a relação com a família. Tem todos os marcos da trajetória: desde como ele começou a ganhar dinheiro ainda criança, passando pela influência de Benjamin Graham, pela transformação trazida por Charlie Munger, até os casos clássicos de Coca-Cola, Apple, American Express, Washington Post e Salomon Brothers.

Para quem opera com horizonte longo, o ponto mais relevante é o final do episódio: o que o investidor brasileiro pode aprender com Buffett, mesmo vivendo em um país de juros altos. E aqui há uma conexão interessante com o que a Marina Procknor escreveu em sua coluna mais recente: o Brasil sempre teve menos espaço para engenharia financeira, e por isso, historicamente, mais retorno veio de melhoria operacional. Em essência, o investidor brasileiro disciplinado já operou, durante décadas, sob lógica buffettiana sem nem perceber.

Uma conversa densa, com profundidade real, que vale ser ouvida com calma.
 
🔗 Escute a conversa completa no Youtube

📈 Ponto de vista Solum

A matéria do Valor mostra que o middle market industrial brasileiro está retomando confiança e disposição para investir, sinal direto de que o ambiente operacional está se tornando mais favorável à execução de teses de crescimento. O artigo do Pedro Janot aponta o que sustenta (ou sabota) qualquer execução de longo prazo: a humildade do líder, a capacidade de escutar, o ego no chão. E Buffett amarra tudo com a referência máxima de construção de valor pela via operacional, em horizontes que se contam em décadas, não em ciclos.

Três camadas: momento de mercado, qualidade de liderança e horizonte de construção. Todos convergindo no mesmo ponto, o que separa quem cria valor de verdade é, no fundo, sempre o mesmo conjunto de variáveis. Ambiente operacional favorável ajuda, mas o que sustenta resultados ao longo de décadas é gente boa, com humildade para escutar, com disciplina para executar consistentemente e com horizonte longo o suficiente para deixar os juros compostos fazerem seu trabalho.

Como bem coloca o Pedro: "Ego no bolso. Bolso furado. Ego no chão." É uma frase de empresário, mas serve de provocação para qualquer investidor de longo prazo.

Boa leitura e uma excelente semana,
Equipe Solum Capital