📬 Insights da Solum

Edição #53 - O que estamos lendo, ouvindo e pensando na Solum Capital

Prezado(a),

A Solum Capital compartilha, semanalmente, uma seleção de conteúdos que dialogam com os temas que norteiam nosso dia a dia. Nosso objetivo é contribuir para o debate estratégico e manter um canal permanente de diálogo com nosso ecossistema.

Nesta edição: por que a adoção de IA no middle market está descolando da execução real, o que separa CEOs que escalam valor dos que ficam presos em pilotos, e a lição de disciplina operaconal de quem faz isso há décadas na KKR.

📰 Em destaque

Pesquisa RSM 2026: middle market já adotou IA, mas execução ainda é o gargalo

A RSM (uma das principais consultorias focadas em middle market) divulgou nesta semana seu levantamento com mais de 1.000 líderes de médias empresas nos EUA e Canadá. O dado chama atenção: 86% das empresas já integraram IA às operações, e 97% relatam satisfação com o investimento. À primeira vista, parece que a adoção resolveu o problema.

Mas o próprio relatório desmonta essa leitura fácil: a confiança está ultrapassando a capacidade de execução. A maioria das empresas segue colecionando "vitórias isoladas". O primeiro piloto funcionou, mas os próximos dez não se acumularam em valor real, porque o modelo operacional não evoluiu no mesmo ritmo da tecnologia.

Para quem opera no middle market, o recado é direto: o gargalo não é mais acesso à I, mas a governança, prontidão das pessoas e disciplina na alocação de capital. Exatamente os fatores que separam quem transforma pilotos em ganho de escala de quem fica preso neles.

🔗 Leia a pesquisa completa

📚 Leitura recomendada

CEOs começam a ver valor da IA. Agora vem a execução.

Artigo da BCG mostra que quase nove em cada dez CEOs já enxergam ganhos concretos de custo ou receita com IA em áreas específicas. O desafio deixou de ser "gerar valor" e passou a ser escalar esse valor para todo o negócio, justamente onde a maioria ainda tropeça.

Algumas ideias que merecem atenção:

- Do piloto à transformação. 64% das empresas fazem pilotos de IA, mas só 26% a incorporam como parte de uma transformação mais ampla do negócio. Pilotos isolados não geram impacto de escala;

- O CEO orquestra, o negócio executa. O papel do CEO é definir ambição, prioridades e métricas de sucesso; a execução trimestre a trimestre deve ser de CXOs e donos de P&L, com metas atreladas a resultado, não a atividade;

- Rastrear valor financeiro desde o início. Apenas 14% das empresas definem claramente o impacto no P&L para todas as iniciativas de IA. Sem essa disciplina, é impossível saber o que está funcionando;

- Pessoas são o gargalo, não tecnologia. na experiência da BCG, 70% do valor da IA vem de mudanças no modelo operacional e nas formas de trabalho, contra apenas 10% dos algoritmos em si.

Um texto que conecta diretamente com o dado da RSM logo acima: a tecnologia muda, mas a disciplina de execução, com foco, prioridade e responsabilização, continua sendo o que separa quem gera valor real de quem fica preso em pilotos.

🔗 Veja o artigo completo

🎧 Ponto de escuta

A dura verdade sobre excelência operacional, com Peter Stavros (KKR)

Neste episódio do Dry Powder (podcast da Bain & Company), Pete Stavros, Global Co-Head of Private Equity da KKR, detalha a disciplina rigorosa e de longo prazo por trás da geração de valor operacional real em empresas, indo além do discurso comum sobre sourcing de bons deals.

Stavros explica como a KKR construiu um dos times operacionais mais intensivos da indústria, e por que essa abordagem estruturada e pouco dependente de timing de mercado é o caminho mais confiável para gerar retorno em qualquer cenário macroeconômico.

Uma conversa direta sobre execução, governança e o que realmente diferencia value creation de sorte de ciclo.
 
🔗 Ouça o episódio completo

📈 Ponto de vista Solum

As três peças desta edição convergem para uma mesma constatação, vista de três ângulos diferentes: dado de mercado, análise estratégica e experiência prática de quem está na trincheira.

A RSM mostra o sintoma no middle market: adoção alta, satisfação alta, mas resultado que não se acumula. É o retrato de empresas que estão sabendo ligar a tecnologia cada vez mais, mas ainda não reorganizaram o trabalho ao redor dela.

A BCG explica a causa raiz: transformar com IA exige a mesma disciplina de qualquer transformação de negócio: ambição clara, responsabilização de quem executa, e rastreamento de valor até o resultado financeiro. A IA não muda essa lógica, ela apenas eleva a régua.

E Pete Stavros, da KKR, fecha o arco com a prova de que essa disciplina não é teoria. É repetível, mensurável e construída ao longo de anos de rigor operacional. O tipo de trabalho que raramente aparece nas manchetes, mas que sustenta os melhores resultados independentemente do ciclo.

Para quem aloca capital em empresas de médio porte, o recado das três é o mesmo: tecnologia e capital são commodities cada vez mais acessíveis. O que continua escasso, e é o que gera retorno de verdade, é a capacidade de execução. Pessoas certas, governança clara e disciplina para transformar intenção em resultado.

Boa leitura e um excelente fim de semana,
Equipe Solum Capital