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Edição #54 - O que estamos lendo, ouvindo e pensando na Solum Capital
Prezado(a),
A Solum Capital compartilha, semanalmente, uma seleção de conteúdos que dialogam com os temas que norteiam nosso dia a dia. Nosso objetivo é contribuir para o debate estratégico e manter um canal permanente de diálogo com nosso ecossistema.
Nesta edição: o que os investidores globais estão realmente cobrando das empresas em 2026, por que tantas organizações ainda não têm um processo formal de alocação de capital, uma reflexão do nosso conselheiro Pedro Janot sobre liderança no varejo, e como o CEO da AT&T conduziu uma transformação cultural sem perder o que fazia a empresa forte.
📊 O que investidores querem ver em 2026: geopolÃtica, IA e disciplina de capital
A pesquisa da McKinsey mostra três temas dominando a régua de avaliação de empresas em 2026:
O primeiro é geopolÃtica: 69% das pessoas a colocam entre os três principais fatores macro que influenciam suas decisões.
O segundo é IA, mas com uma virada importante: ela já é a caracterÃstica mais citada espontaneamente por investidores quando descrevem o que faz uma empresa "vencedora" em 2026, um salto enorme frente a pesquisas anteriores. Só que, junto com esse entusiasmo, cresce também a desconfiança. "Risco de bolha de IA" já aparece entre as cinco maiores preocupações para o tema de investimento. Investidores querem ver IA conectada a resultado operacional real (margem, produtividade, vantagem técnica defensável), não apenas discurso.
O terceiro tema, e o mais relevante à tese da Solum: disciplina de alocação de capital continua sendo, pesquisa após pesquisa, uma condição básica para qualquer tese de investimento de longo prazo. 63% dos investidores apontam disciplina de ROIC como o principal sinal de um bom alocador de capital, e reinvestimento orgânico continua sendo o uso preferido do capital para a maioria (52%).
🔗 Leia a pesquisa completa
📰 Capital allocation e portfólios resilientes: a maioria ainda improvisa
A Deloitte conduziu uma pesquisa global com clientes sobre como as empresas estão de fato alocando capital em um ambiente de juros mais altos e incerteza geopolÃtica persistente. O achado central é desconfortável: capital allocation é reconhecidamente crÃtico para qualquer empresa, mas a maioria das organizações ainda não trata isso como um processo formal. Decide de forma reativa, sem um framework claro de priorização entre crescimento orgânico, M&A, fortalecimento de balanço ou retorno de capital aos sócios.
O relatório também mostra que as empresas mais maduras nesse processo usam análise de cenários para testar a resiliência do portfólio antes de comprometer capital e não depois que o investimento já foi feito.
É um contraponto direto ao dado da McKinsey acima: os investidores já sabem o que querem ver (disciplina, ROIC, fundamentos), mas o relatório da Deloitte mostra que, do lado de quem aloca o capital, a prática ainda está muito atrás do discurso.
🔗 Veja o artigo completo
📚 O crescimento do varejo não começa na estratégia, começa na liderança.
Nosso conselheiro Pedro Janot, ex-CEO da Zara e da Azul no Brasil, publicou uma reflexão sobre o que realmente move o crescimento de uma operação de varejo. Sua tese é direta: quando alguém pergunta o que faz uma operação crescer, a resposta esperada é sempre sobre estratégia, produto ou expansão, mas, na experiência de quem já esteve à frente de grandes operações, o que realmente destrava (ou trava) o crescimento é a liderança.
É uma reflexão que nasce da prática, não da teoria, e conecta diretamente com o tema de pessoas como o verdadeiro motor (ou gargalo) de qualquer transformação de negócio.
🔗 Leia o artigo completo
🎧 Como transformar uma empresa centenária sem perder o que a fez forte
Neste episódio especial do HBR IdeaCast, gravado durante o HBR Leadership Summit 2026, o CEO da AT&T, John Stankey, conta como reposicionou a estratégia da empresa em torno de conectividade e, simultaneamente, transformou sua cultura interna, depois de mais de quatro décadas dentro da própria companhia.
Stankey explica como incentivou o time a adotar uma mentalidade mais orientada a cliente e a mercado, como integrou IA para reformular produtos e desempenho sem abrir mão da colaboração presencial, e como equilibrou mudança de estratégia com preservação do que fazia a AT&T forte. É uma conversa direta sobre como liderar uma virada cultural em uma organização legada sem perder sua identidade.
🔗 Ouça o podcast
📈 Ponto de vista Solum
As quatro peças desta edição, lidas em conjunto, desenham um mapa bastante completo de onde está o verdadeiro gargalo da criação de valor hoje.
A McKinsey mostra o que os investidores exigem: fundamentos, ROIC, disciplina, e agora, uso inteligente de IA. É a régua externa contra a qual toda empresa está sendo medida.
A Deloitte mostra a lacuna: a maioria das organizações ainda não tem um processo formal para atender a essa régua. Sabe o que precisa entregar, mas não estruturou como decidir onde colocar cada real de capital.
Janot preenche essa lacuna com uma resposta prática, vinda de dentro da própria casa. Antes de qualquer framework, é a liderança que decide se uma organização consegue de fato executar sua estratégia de capital e crescimento.
E, para finalizar, John Stankey na AT&T, mostra essa liderança em ação. A prova de que é possÃvel guiar uma transformação cultural profunda, incorporando tecnologia e mudando comportamentos, sem perder a identidade que fez a empresa forte por décadas.
Investidores cobram disciplina, mas a maioria das empresas ainda não tem o processo, e liderança é o que preenche essa lacuna. E a AT&T mostra como isso se traduz na prática. É esse o fio que conecta tese de investimento, execução e resultado. É exatamente onde a Solum busca atuar junto às empresas que nos tornamos sócios.
Boa leitura e um excelente fim de semana,
Equipe Solum Capital